Para Sempre Alice: a emoção nos olhos de Julianne Moore

Quando Julianne Moore ganhou o Oscar de Melhor Atriz por Para Sempre Alice (“Still Alice”), eu sabia que seria um prêmio merecido. Bastou assistir ao trailer para ter certeza de que esse seria um daqueles dramas tocantes, triste pela história, mas maravilhoso pelo conjunto da obra. E ontem foi dia de confirmar essa primeira impressão.

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Ao interpretar Alice Howland, Julianne Moore consegue passar toda a dor e angústia de sua personagem, uma professora universitária de linguística, escritora e palestrante de sucesso que descobriu que sofria de uma condição rara de Alzheimer precoce por volta dos 50 anos. Apesar de não ficar claro na narrativa quanto tempo demorou entre cada etapa, conseguimos acompanhar todos os estágios da doença, desde o diagnóstico até a (quase) completa perda de memória e senso de espaço. Alice era uma mulher cheia de vida, bonita, ambiciosa e, de repente, começa a esquecer pequenas palavras e se perder em alguns lugares. Até que a perda de memória alcança níveis altos, chegando a esquecer a fisionomia da filha ou onde é o banheiro da sua casa. A aparência de Moore durante o longa também denuncia o quanto a doença pode ser devastadora, tanto física como psicologicamente, inclusive para aqueles que estão ao seu redor.

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Ainda que de forma coadjuvante, conseguimos ver a relação do marido (Alec Baldwin), filhos (Kristen Stewart como Lydia, Kate Bosworth como Anna e Hunter Parrish como Tom) e outras pessoas com o desenvolvimento da doença, enfrentando os desafios de lidar com o desconhecido e aprendendo a ser mais tolerante e paciente mesmo com todos os obstáculos enfrentados para conseguir conciliar a rotina diária com a nova realidade da família. Vale dizer que enquanto Kate e Hunter parecem quase descartáveis pelo envolvimento superficial na trama, Baldwin e Stewart criam o encaixe perfeito com Julianne Moore, em cenas tocantes com diálogos reais e profundos.

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Para Sempre Alice é um filme quase biográfico, que toca pela profundidade em que as coisas são contadas: seja no olhar perdido, nas estratégias para conseguir se lembrar de pequenas coisas ou no sorriso orgulhoso que chega com a realização de pequenas conquistas, como por exemplo ler um texto inteiro sem se perder entre as linhas. É um filme educativo, que ensina muito sobre o Alzheimer do ponto de vista do paciente, que tenta a todo custo passar aos outros o sentimento de perda e, mesmo assim, parece ser impossível ter uma noção real do que é. É um filme que provoca reflexão, trazendo nosso lado humano e emotivo à tona, onde podem navegar pensamentos sobre a vida, família, carreira, valores e muito mais. Se a sinopse não convence pelo apelo dramático, a narrativa faz as honras com seu tom poético sobre um assunto tão delicado. E, sem dúvidas, Julianne Moore tem seu trabalho devidamente reconhecido e premiado, com uma atuação espetacular e emocionante.

Se você, assim como eu, ainda não assistiu até agora, está perdendo tempo 😉

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Uma homenagem aos herois brasileiros da Segunda Guerra Mundial

Quem me segue no Instagram viu que ontem participei da coletiva de imprensa na pré estreia do filme “A Estrada 47”, de Vicente Ferraz, e da inauguração da exposição em homenagem aos 70 anos do final da 2ª Guerra Mundial, no Boulevard Shopping. Comparecer a esse evento foi gratificante! Além de participar pela primeira vez como crítica cultural (YEY, a pós tá acabando \o/) de uma coletiva com o diretor, produtora e elenco do filme, foi emocionante escutar os pracinhas que estavam na guerra contar suas histórias.

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Um evento que celebra duas estreias que homenageiam os herois brasileiros da década de 40. Não, eles não venceram a guerra sozinhos. Para alguns, 25.000 brasileiros em campo de batalha pode parecer até pouco perto do caos que a Europa vivia naquela época. Mas 25.000 homens, jovens humildes e despreparados, abandonaram sua família e seu país, e foram de peito aberto lutar contra o nazismo e o facismo. E merecem todo nosso respeito e admiração!

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Daniel de Oliveira, Thogun Teixeira, Andrea Panisset, Isabel Artavia, Vicente Ferraz, Francisco Gaspar, Cabo Moreira e Cabo Braz (os pracinhas), Marcos Renault e representantes do Exército Brasileiro.

Na coletiva, escutar o relato dos pracinhas que estavam presentes na guerra me emocionou. Me fez perceber quão distante estamos desse passado real e como precisamos amar e nos dedicar mais ao nosso Brasil, independente de opção partidária e opiniões políticas. O cabo João Batista Moreira, um senhor simpático que hoje ri do horror que enfrentaram, leu uma carta que enviou a seu pai que me fez chorar. Parafraseando o pracinha, deu pra ver que o exército brasileiro deve mesmo ser “o mió de todo o mundo”. Talvez não tenha a maior frota nem a melhor tecnologia, mas sem dúvidas é o mais humano.

Ele conta que lá, além da difícil adaptação no inverno de -15°C, -20°C, ainda dividiam a ração com o povo desolado, os enfermeiros estendiam seus cuidados para os feridos e que em nenhum momento pensaram no dinheiro. Na carta enviada ao seu pai ele diz que ele poderia morrer, e seu pai perder um filho, mas que se isso acontecesse, era para seu pai enviar mais um de seus filhos, pois eles iam ganhar a guerra e evitar que os nazistas pisassem em solo brasileiro e destruíssem nossa nação.

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Com Francisco Gaspar, Vicente Ferraz, Thogun Teixeira, Daniel de Oliveira e a blogger Loren Santos

E é a fim de contar a história desses caras que Vicente Ferraz dirigiu o filme “A Estrada 47”, uma co-produção entre Brasil, Itália e Portugal, que já conquistou grandes prêmios em festivais. No elenco, estão os brasileiros Daniel de Oliveira, Julio Andrade, Thogun Teixeira, Francisco Gaspar, o italiano Sergio Rubini, o alemão Richard Sammel e o português Ivo Canelas. Ainda vou falar do longa em um outro post, mas recomendo a todos que assistam. Além de prestigiar o cinema brasileiro (pelo que sei aqui em BH ele está em cartaz apenas em uma sala do Boulevard Shopping), conhecer mais dessa história e dessas pessoas vale a pena. Mais do que a guerra em si, é uma obra que fala sobre o povo brasileiro, em uma história de heroísmo e superação.

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E quem for ao Boulevard, tem que aproveitar para conferir a exposição que fica aberta ao público até o dia 24 de maio. Reunindo um dos maiores acervos do país, em parceria com o Museu da Força Expedicionária Brasileira e com algumas contribuições de colecionadores, a mostra conta com dez carros militares, fotos, armas, uniformes, objetos de uso pessoal dos soldados, documentos do período da Segunda Guerra e publicações.

Para fechar, deixo aqui meu agradecimento à Érika, da Doizum Comunicação. Obrigada pelo convite, foi realmente um momento especial 🙂

Cinquenta tons de…?

Tédio? Tesão? Romance? Sexo? Vazio? Emoção? Enquanto as fãs de Christian Grey se derretem no cinema, os críticos insistem em encontrar defeitos no longa que foi baseado no romance de E.L. James. Falta de química entre os protagonistas, roteiro que foge do original, cenas quentes que não provocam sensações e o fato de ser um blockbuster baseado num best-seller fez com que Cinquenta Tons de Cinza caísse nas garras dos cinéfilos e recebesse uma avalanche de comentários maldosos por aí.

Minha opinião? Estão falando demais sem necessidade! Assisti ontem ao filme e me surpreendi positivamente com o que vi. Quando li os três livros, achei que o filme seria um fracasso anunciado. Afinal, como colocariam no cinema um romance (quase) adolescente, recheado de cenas eróticas, enfrentando a censura sem atingir seu público principal? Pois conseguiram, e ganharam minha atenção.

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Ao contrário do primeiro livro da trilogia, o filme não foca na relação sexual de Christian Grey e Anastasia Steele, e sim no relacionamento dos dois. As cenas de sexo são um adendo interessante, que tomam conta de aproximadamente 20 minutos das 2 horas de filme. Mais quentes do que de qualquer outro romance hollywoodiano e menos agressivas que qualquer filme do X Vídeos ou RedTube, eles conseguem mostrar bem a relação de dominador x submissa, enquanto ambos enfrentam seus próprios medos: ele, de se relacionar, ela, de se entregar ao universo SDSM (bondage, disciplina, dominação, submissão, sadismo e masoquismo). Ficam de fora cenas que eu achei desnecessárias e cansativas durante a leitura, já que elas se tornavam apelativas quando se estendiam demais. Vale dizer que a trilha sonora (!!!) e os planos de filmagem contribuem para criar o envolvimento necessário de cada cena caliente entre os dois.

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Outro ponto que valorizei foi mudar a relação contratual do casal. Enquanto no livro Grey só se permite entrar num “relacionamento” com Anastasia após a assinatura de um contrato maluco que diz exatamente o que ele pode ou não fazer com ela entre quatro paredes, no longa o contrato vai ficando de lado, apesar de ser citado repetidamente fazendo referência à história original. Porém, no lugar da assinatura entra a dúvida, os questionamentos, a descoberta e o prazer, que vão dando espaço para um romance mais real e plausível, focando nas consequências de um envolvimento SDSM independente do que está em algumas folhas de papel.

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Por fim, acredito que os críticos que acusaram que não existe química entre os atores não leram o livro para falar tamanha bobagem ou estavam esperando um pornozão no cinema. OK, eu concordo que existem Grey’s melhores que Jamie Dornan, mas ele cumpriu bem o papel de um empresário frio e sádico, que se deixa levar quase perdendo o controle de seus sentimentos. Vestindo sempre um terno alinhado e com uma expressão dura, ele se quebra em alguns sorrisos de canto deixando transparecer que sente algo diferente por ela. Em contrapartida, Dakota Johnson dá vida à Anastasia, criando uma personagem infinitamente mais divertida e menos boring, apesar de conseguir me irritar com suas constantes mordidas nos lábios e seus suspiros profundos a cada toque dele. Em todo caso, tiro meu chapéu para os dois, que encararam o desafio de protagonizar as cenas de sexo completamente nus e envolvidos, com muitas mãos, lábios e línguas, mostrando mais do que deveriam para um filme com classificação mínima de 16 anos.

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Se eu mudei de opinião em relação à história? Não. Continuo achando que Cinquenta Tons de Cinza é só mais um romance piegas como qualquer outro, que ganhou visibilidade por trazer cenas eróticas misturadas à uma pitada de sorte da autora, já que existem concorrentes no mercado. Continua sendo uma história sem graça, que tem a capacidade de despertar a fantasia e quebrar vários tabus para muitas mulheres. Concordo até com os mais extremistas que os classificam como “o milionário babaca que sente prazer batendo em uma (ex) virgem que se vende por presentes” – descrição pesada demais, mas com um Q de verdade. Mas se é uma história “vazia”, como muitos continuam pregando por aí, a culpa é de E.L. James, e não de Sam Taylor-Johnson, que conseguiu dirigir o filme respeitando o livro, inovando quando podia, cortando o que deveria e deixando um gostinho de quero mais. Prova disso foi escutar um único e sonoro “nãaaao” de uma fã na última cena no cinema rs. Calma, amiga. Ainda tem mais 😉

Leia também a resenha dos livros:

As estratégias do Marketing Invisível

Outro dia postei na fan page do blog um texto que li a respeito do Instagram da Gabriela Pugliesi, a blogueira fitness do Tips 4 Life que conquistou uma legião de fãs e hoje usa as redes sociais para vender um estilo de vida, além de produtos como suplementos alimentares e roupas de ginástica. Que não leu, pode clicar nesse link aqui. Como rendeu um bate papo bacana por lá, resolvi estender a discussão aqui no blog.

Gabriela Pugliesi: Corpo perfeito na praia perfeita

Gabriela Pugliesi: corpo perfeito na praia perfeita

Poucos dias antes de postar o texto, eu tinha assistido o filme Amor por Contrato (“The Joneses”), de 2009. Apesar de não ser tão recente, o longa fala exatamente desse marketing invisível que trabalha com o emocional das pessoas, através do status e da personalidade de cada um. A ideia dessa publicidade escondida é mostrar para os outros um estilo de vida no qual outras pessoas vão se identificar, desejar e, mais importante, propagar. É uma reação em cadeia que é muito eficiente do ponto de vista comercial, porque não vende o produto, e sim um conceito atribuído com uma identificação pessoal.

No filme, uma família aparentemente perfeita – bonitos, ricos, populares e confiantes – moram em uma mansão em um bairro de luxo, possuem os melhores aparelhos eletrônicos e carros de primeira linha. A família, que na verdade é uma equipe de vendas de uma grande empresa disfarçada, trabalha duro para conseguir despertar o interesse dos vizinhos, que acabam adquirindo todos os produtos que eles tem. Os próprios vizinhos acabam virando garotos propagandas da empresa, pois também recomendam para outros conhecidos a “dica de ouro” que até então só eles conheciam. Bum! Reação em cadeia que dá certo.

Família Jones: mansão e artigos de luxo para atrair os vizinhos

Família Jones: mansão e artigos de luxo para atrair os vizinhos

Se analisarmos as it bloggers em suas redes sociais, é exatamente isso que elas estão fazendo. Tudo bem que elas não enganam ninguém, a gente sabe muito bem que esse é o trabalho delas e que elas ganham muito para vestir a roupa X ou comer a tapioca Y. E de certa forma, hoje elas tem a liberdade de fazer o que gostam e escolher a dedo as parcerias para divulgar. Mas é incrível ver o poder de influência que elas tem sobre as pessoas, assim como a família Jones tinha no filme.

Se não acredita nisso, vá a uma academia e pergunte quantas garotas seguem as dicas da Pugliesi no Instagram. Ou ligue para uma loja e pergunte sobre a blusa que a Thássia Naves vestiu na semana passada. Aposto que já esgotou! E a gente pode ir mais longe… As Ilhas Maldivas viraram destino preferido (para quem pode desembolsar um pouquinho mais) depois que muitas blogueiras foram para lá, assim como passar Réveillon em Trancoso, na Bahia, é a grande sensação brasileira. Fazer yoga e pilates agora é bacanérrimo, mas só se postar foto das posições mais difíceis, preferencialmente com um plano de fundo bem bonito… E tomar suco verde então, ahhh, isso é essencial.

Andar de patins domingo no Mineirão virou programa preferido de muita gente, inclusive da Lu, do Chata de Galocha

Lu Ferreira aderiu ao patins no Mineirão, programão de domingo em BH

Antes que me chamem de hipócrita, eu também já fiz (e ainda faço!) muito tudo isso. É quase automático a gente inserir algumas coisas na nossa vida depois de alguma boa recomendação, seja de um amigo próximo ou de uma blogueira famosa. A grande questão é sempre aquele cuidado de absorver de qualquer pessoa ou qualquer informação aquilo que realmente tem algum sentido para você. Quem gosta de tapioca não precisa deixar de comer só porque virou a sensação do momento, assim como quem adora academia não vai deixar de malhar (treinar é só pra atleta, minha gente!) porque hoje existe uma geração fitness pesada. Mas você não precisa se sentir na obrigação de fazer, só porque alguém falou que é legal e que agora todo mundo faz.

Hoje a gente consome informação em todos os lugares, e as empresas se aproveitam disso para expor a marca e seus produtos de forma sutil e pouco invasiva. Elas estão presentes no dia a dia de cada um e, quando você se der conta, já incorporou isso na sua vida. Por isso, cuidado para não ser devorado. Pense bem antes de engolir qualquer coisa que está na sua frente. O marketing invisível está mais forte do que nunca e só tende a piorar. Quem não viu o filme, eu recomendo. Ajuda bem a clarear as ideias sobre esse consumo inconsciente!

Ps.: Para deixar claro, aqui no Sistemáticas também rola parceria e publicidade de marcas que eu conheço, gosto ou acredito. Todas as recomendações feitas por minha conta levam a tag “Dica da Sis” e todos os anúncios recebem as tags “Publicidade” ou “Parceria”, de acordo com o contrato de divulgação que foi fechado. 

Malévola: a verdadeira história da bruxa (nem tão) má

Apaixonante! Não tem palavra que descreva melhor a sensação que fica depois de assistir Malévola (Maleficent). Todo mundo já está cansado de saber que sou Disney Girl e tendo a gostar de tudo que é relacionado. Prova disso é meu vício constante em Once Upon a Time, que também traz releituras dos tradicionais contos de fadas. E é exatamente essa a proposta do filme!

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Baseado no conto de fadas d’A Bela Adormecida, o filme conta o lado da história de Malévola, a vilã que lança a maldição sobre a Princesa Aurora, logo no dia de seu nascimento. O enredo segue a história original, onde ela se vinga do rei lançando um feitiço que faria Aurora dormir para sempre a partir de seu 16º aniversário, e só poderia ser acordada com o beijo de um amor verdadeiro. Porém, ninguém nunca soube os motivos para Malévola fazer o que fez…

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O longa mostra a bruxa (que na verdade é uma fada!) desde de criança, vivendo em seu reino encantado e protegendo os seres mágicos de todo o mau. Até que ela se apaixona e é traída por seu grande amor. Isso faz com que Malévola se transforme em uma fada fria, que não confia em ninguém e está sedenta por vingança. Daí a história se desenrola, mais ou menos do jeito que a gente conhece, com ressalvas super interessantes que nos fazem mergulhar no mundo mágico da Disney novamente.

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O filme contagia com o roteiro bacanudo, cenários surpreendentes e os figurinos de babar. Mas quem rouba a cena e dispensa comentários é Angelina Jolie na pele de Malévola. Não poderiam escolher ninguém melhor para esse papel. Ela está linda, magra e mais poderosa do que nunca!!! É como se ela nascesse para construir essa personagem e domina o filme, apagando até mesmo Elle Fanning, que interpreta Aurora. Esperava mais também das três fadinhas que cuidaram da princesa durante sua infância. Na verdade, elas estão tão abobalhadas que chega a irritar! Fato é que com Jolie liderando a parada tão bem, fica praticamente impossível colocar defeito no resto.

Mas no geral, para os amantes de histórias de príncipes e princesas, vale parar para conferir a heroinização da bruxa mais maléfica de todos os tempos ❤ Quem mais já assistiu? O que acharam?

Filme: A culpa é das estrelas

Pasmem! Mas só esse final de semana consegui parar para assistir o tão falado romance A Culpa é das Estrelas (The fault in our stars). Talvez essa resenha nem faça mais sentido agora, porque metade do mundo já viu o filme quando lançou e virou febre nas telonas. Mas resolvi escrever mesmo assim, para trocar opiniões e, quem sabe, impulsionar (ou não) quem ainda não assistiu.

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Eu não li o livro de John Green para fazer comparativos entre a narrativa original e o longa, mas posso dizer que, em geral, nada mais é do que mais um romance hollywoodiano: o casal se conhece de repente, troca olhares e sorrisos, começam a se conhecer até que se apaixonam e conhecem o amor verdadeiro pela primeira vez. O arremate que fez milhares de pessoas se debulharem em lágrimas? Impossível não se emocionar com dois adolescentes diagnosticados com câncer terminal.

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Seria só mais uma história linda e trágica de amor, se não fosse o roteiro desenhado com um simples detalhe: a importância e a valorização de pequenos prazeres da vida. Um pouco previsível em histórias com pacientes de câncer, a superação e a busca pela realização de alguns sonhos, no pouco e incerto tempo que lhes restam de vida, estão presentes de uma forma leve e agradável. a-culpa-e-das-estrelas-5

Hazel Grace (Shailene Woodley) e Augustus Waters (Ansel Elgort) – que, vale dizer, tem atuações surpreendentes! – atravessam juntos alguns conflitos da adolescência e as dificuldades impostas por cada uma de suas limitações. Mas ao invés da doença, das crises, dos hospitais ou até mesmo da morte tomarem as rédeas, A Culpa é das Estrelas se destaca na simplicidade de um sorriso, na emoção de um olhar correspondido, na alegria de uma conquista, na gratidão por quem está ao seu lado. O filme valoriza os pequenos bons momentos, traduzidos através da complexidade dos protagonistas. Como disse uma colega de pós-graduação, “é um filme que fala mais sobre a vida, do que sobre a morte”. E a forma como o diretor Josh Boone cria esse diálogo é de tirar o chapéu.

Então, sim. Vale a pena perder duas horinhas para se emocionar com o romance-clichê-nada-convencional de Hazel e Augustus. Quem já viu, concorda?

Filme: Os Mercenários 3

Já que nós estamos embalados nas notícias e prêmios do Emmy Awards, vou aproveitar e pegar o gancho para falar de filme! Ontem assisti Os Mercenários 3, o terceiro filme da franquia criada por Sylvester Stallone, que não foge muito da proposta dos dois primeiros. Acredito que quem vai ao cinema assistir esse filme já está preparado para encontrar um seleto grupo de atores veteranos de ação em meio a tiros, explosões e fugas ridiculamente espetaculares.

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Os Mercenários 3 reúne em seu elenco Sylvester Stallone, Mel Gibson, Arnold Schwarzenegger, Harrison Ford, Jason Statham, Wesley Snipes, Randy Couture, Dolph Lundgren, Terry Crews e Antonio Banderas! E a graça está em ver esses velhos brutamontes detonando qualquer lugar por onde passam e brindando com uma cerveja em um pub com karaokê depois.

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O longa é basicamente uma paródia dos filmes de ação de 30 anos atrás incrementada com brincadeiras internas, como por exemplo o resgate de Wesley Snipes da prisão – que estava realmente preso por sonegação fiscal e aparece no filme como se estivesse saindo direto da penitenciária; ou ver os próprios personagens reconhecendo que estão velhos para esse tipo de trabalho mas brincando com isso enquanto defendem que é a única coisa que sabem fazer. O terceiro longa da franquia conta ainda com um novo grupo de mercenários, mais jovens e desconhecidos para o público que, na minha opinião, talvez possa fazer uma junção da galera da velha guarda com a nova geração nos próximos filmes (se é que vai ter!).

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No fundo, pouco importa que rumo toma o enrendo e quase ninguém deve ligar para a bomba que explode e joga todo mundo para o alto sem que ninguém saia queimado; ou se questionar sobre o exército que some de repente para dar espaço a uma luta entre dois personagens; ou ainda desacreditar no cara que consegue pular de um trem para um helicóptero, ambos em movimento; muito menos rir dos tiros estilo velho oeste, com tapa na arma, que Stallone sai disparando por aí…

Se não tivesse toda essa canalhice previsível, Mercenários (e aqui falo de todos os filmes da franquia) deixaria de lado sua proposta que, ao meu modo de ver, se baseia na nostalgia de quem sente saudade das histórias clichês dos caras. E por esse motivo, vale a pena o ingresso.

Filme: 12 anos de escravidão

Nesse último final de semana assisti a um filme que estava na minha lista há séculos e sempre o evitava por “não estar no clima” para uma história tão triste, mesmo ele tendo recebido o Oscar de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado este ano. Hoje percebi que ninguém nunca vai estar preparado para encarar 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave).

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Baseado em uma história real, de um livro homônimo e biográfico, o drama se passa nos EUA de 1841 e conta a história de Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), um negro norte-americano livre, músico e pai de família, que é sequestrado após cair em um golpe, aprisionado e enviado ilegalmente para o Sul, onde se torna escravo durante 12 anos, sem nenhuma prova de sua liberdade além da sua palavra – que nada valia naquela época.

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Ao contrário de Django Livre, 12 Anos de Escravidão é um longa que extrapola os limites da sensibilidade, onde o diretor Steve McQueen não usa da violência como plano principal para relatar todo o sofrimento vivido por esse povo no século XIX. Ele consegue transmitir pelos olhos de seus personagens cada gota de dor, agonia e esperança que eles carregavam dia após dia, assim como toda a indiferença e sangue frio dos brancos com eles.

Entretanto, ainda que raras e nunca exibidas de um ângulo só, existem cenas absurdamente chocantes que arrancam um pouquinho da nossa alma a cada ato de agressão contra os negros. Lupita N’yongo, que interpreta Patsy, tem seu Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante justificado em cenas intensas que terminam em lágrimas e fazem transbordar a compaixão.12-anos-de-escravidao-12-years-a-slave-1

Faltam palavras para descrever o sentimento que fica após ver um filme que relata uma realidade tão triste. E dá desgosto saber que existiram (e o pior, ainda existem!) pessoas que tenham a coragem de praticar atos tão desumanos com outro ser humano. Só resta uma salva de palmas a McQueen, que nos traz um lamentável choque de realidade de forma tocante com um elenco de primeira, que além de Ejiofor e Lupita, conta com Benedict Cumberbatch, Paul Dano, Paul Giamatti e Brad Pitt.

Quem já viu? O que acharam?

X-Men – Dias de um Futuro Esquecido

Se tem uma história dos quadrinhos que eu adoro, é X-Men. Não pelos HQs em si, porque não li todos, mas na minha infância anos 90 acompanhei muitos desenhos baseados nas histórias da Marvel e os mutantes sempre prenderam minha atenção. Junto comigo, o interesse pela saga foi crescendo e acabei assistindo aos filmes baseados nos quadrinhos também.

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Na última quinta-feira fui ao cinema assistir o último lançamento: X-Men – Dias de um Futuro Esquecido, que mostra um futuro quase apocalíptico para os mutantes, caçados por sentinelas – robôs criados por Bolívar Trask (Peter Dinklage) para encontrar e destruir os seres com poderes especiais. Entre os sobreviventes, estão Charles Xavier (Patrick Stewart), Magneto (Ian McKellen) e Wolverine (Hugh Jackman), que vivem escondidos e buscam uma salvação. A solução encontrada é mandando Wolverine ( ❤ ) a uma viagem no tempo, de volta aos anos 70, onde ele procura Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender), ainda jovens, para que juntos destruam os sentinelas e mudem o futuro trágico que os espera.

Fera, Xavier e Wolverine

Fera, Xavier e Wolverine

É comum ver críticas de cinema que falam sobre a dinâmica esquisita entre os filmes da franquia, que dura mais de 10 anos e estava perdendo o fôlego. Mas com a viagem no tempo – muito bem estruturada, diga-se de passagem – esse filme permite uma renovação, criando uma mistura entre elencos de duas épocas diferentes, que acaba aumentando a associação entre quem acompanha desde o início e promovendo maior envolvimento de quem começou a ver há pouco tempo atrás. E vale dizer, com uma ressalva para X-Men Origens: Wolverine, que eu gostei muito, esse é um dos melhores.

Magneto e Mística

Magneto e Mística

Wolverine, Magneto, Xavier e Mercúrio

Wolverine, Magneto, Xavier e Mercúrio

Além disso, impagável ver Xavier e Magneto juntos em busca de um bem comum, contando com a ajuda de personagens icônicos como Tempestade (Halle Berry), Lince Negra (Ellen Page), Mística (Jennifer Lawrence) e Fera (Nicholas Holt). Wolverine é Wolverine, dispensa comentários. Mas quem rouba a cena mesmo é Mércurio (Pietro Maximoff) que tem uma aparição curtinha mas é o auge de todo o filme. Em resumo, quem gosta do estilo que mistura ação e ficção científica, com uma pitada de comédia, o sétimo filme da série de HQs é obrigatório na lista dos filmes para assistir antes de morrer haha.

Mais gente já assistiu? O que acharam?

Filme: A menina que roubava livros

Há muito tempo atrás, quando o blog ainda estava surgindo, escrevi aqui uma crítica bem superficial sobre o livro A menina que roubava livros (The Book Thief). Hoje, praticamente dois anos depois de ter lido, tenho uma opinião diferente e melhorada a respeito dele. Inicialmente, achava uma história longa e cansativa, que mostrava as dificuldades na época da Segunda Guerra Mundial através dos olhos de uma garota que gostava de ler. Hoje, depois de ter visto o filme e com uma visão um pouco mais sistemática, acho que o livro retrata a história do nazismo de uma forma leve (e triste!), baseada nos relacionamentos pessoais dessa menina, e não na Guerra.

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Analisando como um todo, o filme deixa um pouco a desejar – as always. Ele inicia a narrativa exatamente igual ao livro: com a Morte apresentando Liesel (Sophie Nélisse), filha de mãe comunista, que perde o irmão mais novo e é adotada por uma família em um bairro pobre da Alemanha. Porém, diferente da história original, a Morte aparece como narrador em pouquíssimos momentos que foram convenientes, deixando quem não leu o livro um pouco perdido sobre seu papel na história.

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O mesmo acontece com Max (Ben Schnetzer), o judeu refugiado na casa de seus pais, que se torna um grande amigo de Liesel. Enquanto no filme ele é praticamente um renegado escondido, que fica doente e inerte por um grande período de tempo, no livro é possível entender a profundidade da relação dele com a garota, sua influência no gosto de Liesel pela leitura e a justificativa de tantos livros roubados – o que não parece ter grande importância no filme também, mesmo carregando isso no nome. Entretanto, a amizade da Liesel com Rudy (Nico Liersch), seu vizinho, e o crescimento da relação com os pais adotivos, Hans (Geoffrey Rush) e Rosa (Emily Watson), roubam a cena do filme, levando à flor da pele a emoção em cada momento de luta dos personagens durante a Guerra.

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Com essas diferenças na apresentação de cada personagem e no destaque de cada acontecimento, mesmo que o contexto geral da história seja bem parecido, eu recomendaria ler o livro primeiro e, só então, ver o filme. Mesmo com uma leitura um pouco arrastada, vale a pena entender melhor a relação de Liesel com cada um dos personagens, que fazem da menina que roubava livros uma versão bem mais light de Anne Frank.