Robert Plant: Um mergulho no passado e um salto para o presente

Eu não costumo escrever críticas de shows ou falar sobre música aqui no blog. Mas estou fazendo uma pós-graduação em Produção e Crítica Cultural e me envolvendo cada vez mais com esse universo musical, artístico, cinematrográfico e teatral. No final de março fui ao show do Robert Plant e um dos meus trabalhos da pós era entregar uma crítica do espetáculo, que agora compartilho com vocês para mostrar um pouquinho desse meu outro lado sistemático rs. Espero que gostem!

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O público presente no Chevrolet Hall no último dia 26 de março pode ser definido como uma legião de fãs apaixonados querendo reviver alguns sucessos de uma das maiores bandas de rock do mundo e se abraçando à oportunidade de ver o “deus dourado”, Robert Plant, em seu segundo show em Belo Horizonte. Acompanhado do sexteto The Sensational Space Shifters, reunidos desde 2012, o ex-vocalista do Led Zeppelin aproveitou a sua participação no Lollapalooza, em São Paulo, para fazer uma turnê no Brasil e encantar pequenas multidões.

A abertura ficou por conta da americana St. Vicent, como é conhecida, que mesmo com a casa ainda vazia – grande parte do público estava nos arredores aguardando o astro da noite – começou a tocar pontualmente. A plateia muda deixava perceptível o fato de que poucos conheciam o som de Annie Erin Clark, mas de forma respeitosa assistiram e se envolveram com a banda. Entre coreografias perfeitamente sincronizadas com a tecladista e um grande espetáculo de luzes durante toda a apresentação, St. Vicent conquistou com sua performance meio robótica, arrancando aplausos ao final de cada música. Mas a grande salva de palmas saiu mesmo quando a cantora agradeceu a todos pela presença, anunciando o que estava por vir.

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O tempo de espera entre os shows foi curto, atendendo a programação prevista, e logo após o término da primeira apresentação a arena já estava lotada. Mais uma vez, pontualmente, Robert Plant subiu a um palco belo-horizontino e fez o pequeno caldeirão ferver. Em uma apresentação mais madura do que a primeira na cidade, a banda mostrou maior entrosamento enquanto Plant se colocava cada vez mais à vontade. Sem se preocupar com a era de ouro dos anos 70, o velho camarada que ainda carrega seus longos e encaracolados fios loiros não se preocupou em reproduzir arranjos perfeitos do Led Zeppelin, mas cativou com boas interpretações dos grandes sucessos que apareciam em meio às músicas do seu último álbum, Lullaby and… The Ceaseless Roar. O público, também mais maduro e menos eufórico do que o primeiro show, realizado no Expominas há dois anos, deixou a nostalgia de lado, mergulhando de cabeça no mix de rock, blues e folk a que essa nova fase se propõe.

O cenário simples e sem superproduções carregava o símbolo do último disco, com a concha da capa ilustrada. Entre um pandeiro, um violão africano de uma corda e, claro, bons riffs de guitarra, Robert Plant and The Sensational Space Shifters realizaram um espetáculo com 16 canções que foram bem amarradas em um show redondo, sem linhas soltas. Os clássicos do Led Zeppelin foram responsáveis por tirar o público do chão, mas ninguém ignorou as canções do novo álbum, que surpreenderam com o foco acústico, acompanhado de instrumentos árabes e africanos, estilo ao qual Plant já demonstra bastante afinidade.

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Quase como uma hipnose, os violões de Baby I’m Gonna Leave You roubam toda a atenção da plateia, que se derrete em gritos e aplausos ao ficar frente a frente com o ídolo britânico, agradecendo sua presença na cidade mais uma vez. O show segue com a nova canção Rainbow, que apesar de passar quase despercebida entre a primeira música e o clássico Black Dog, mostra uma harmonia na construção do set list mesclado entre dois tempos do artista, que é confirmada com Turn It Up e Embrace Another Fall. Na sequência, Going to California é um dos auges do espetáculo, comovendo a plateia que canta com vontade, com direito a luzes acesas de celulares para gravar o hit endeusado e readaptado.

Trazendo grandes clássicos “zeppelianos” como The Lemon Song e Whole Lotta Love, o show segue alternando tempos pesados de rock e blues com momentos melancólicos, mostrando um Robert Plant desmitificado e extremamente confortável nos seus 66 anos. Seguro de si e desprendido da mitologia do passado, Plant volta para o bis com uma long neck de cerveja na mão, atendendo a uma plateia ensandecida que pedia mais batendo os pés no chão. Antes dos tradicionais agudos de Rock n’ Roll, que encerra os seus shows e tira o público do chão, ele ainda interpretou Nobody’s Fault But Mine, mostrando que uma parte do Led ainda está viva dentro dele, mas que ele não precisa da banda para estar vivo e continuar encantando. Com a cerveja quase esgotada na arena, o público só precisava de uma boa dose de Robert Plant para se embriagar.

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2 pensamentos sobre “Robert Plant: Um mergulho no passado e um salto para o presente

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